Há momentos em que tudo pede menos. Menos conversa. Menos exposição. Menos entrega para fora.
Mas nem sempre é possível parar tudo. Nem sempre dá para desaparecer do mundo, desligar, fugir.
E então surge a pergunta: como voltar a si… mesmo enquanto continua presente na vida?
O bem-estar verdadeiro não está só em retiros ou pausas longas.
Está no jeito como consegue criar silêncio dentro, mesmo com o mundo a girar à volta.
Está no minuto em que respira fundo entre compromissos.
Na forma como se trata depois de um dia exaustivo.
No espaço invisível que cria para se ouvir no meio do ruído.
Voltar a si é um treino subtil.
É dizer não sem explicar tudo.
É caminhar devagar mesmo quando o dia pede pressa.
É não se perder no que os outros esperam — enquanto continua a fazer o que precisa.
Não precisa de desaparecer para se reencontrar.
Precisa de lembrar-se de si nos pequenos gestos.
Na pausa antes de responder.
Na escolha do que consome.
Na atenção com que se toca, se fala, se acolhe.
O mundo não vai abrandar.
Mas pode aprender a não o levar inteiro para dentro de si.
E isso, mesmo que ninguém veja, é um acto de bem-estar.
