Há noites em que dorme oito horas e acorda ainda mais cansado.
O corpo até repousou, mas a mente continuou ativa. O coração continuou em alerta.
E isso mostra uma verdade que nem sempre se assume: descanso não é só dormir.
Descansar, de verdade, é conseguir desligar-se do mundo por dentro.
É criar um espaço onde os pensamentos não se atropelam, onde as expectativas dos outros não entram, onde as notificações não mandam.
Esse tipo de descanso não se mede em horas.
Mede-se em qualidade da presença.
Em minutos de um verdadeiro silêncio.
Num gesto pequeno como encostar as costas na parede e fechar os olhos por dois minutos, sem fazer nada.
Em estar num espaço sem ter de explicar nada.
Em desligar o telefone sem culpa.
Desligar-se por um momento não é irresponsabilidade.
É autorrespeito.
É reconhecer que continuar disponível o tempo todo custa mais caro do que parece.
Porque há cansaços que o sono não resolve.
Só se dissolvem quando se retira da energia que o consome.
Nem sempre é possível parar o mundo. Mas é possível parar dentro de si.
E isso… já muda tudo.
