Está ali.
No momento certo.
Com tempo. Com espaço. Sem urgência.
Mas a mente não acompanha.
Pensa no que falta fazer.
No que já aconteceu.
No que pode correr mal.
No que devia estar a acontecer em vez daquilo.
E, sem perceber, o presente passa… sem ser vivido.
Não é falta de vontade.
É hábito.
Durante muito tempo, pode ter vivido em modo de antecipação.
A resolver. A evitar. A preparar-se.
Sempre um passo à frente.
O problema é que esse ritmo não desliga automaticamente quando a vida abranda.
Mesmo quando tudo está calmo, o corpo fica em alerta.
A mente continua a procurar algo para resolver.
E estar presente começa a parecer estranho.
Quase desconfortável.
Há também outro ponto importante.
Desfrutar do presente exige permitir-se sentir.
E nem sempre é fácil.
Porque quando abranda, não vem só tranquilidade.
Vêm pensamentos adiados. Emoções que ficaram por processar.
Coisas que foram sendo empurradas para mais tarde.
Por isso, muitas vezes, manter a mente ocupada é uma forma de evitar esse contacto.
Não desfruta do presente…
porque ainda não se sente completamente seguro nele.
A boa notícia é que isso não se resolve com esforço.
Resolve-se com pequenos momentos de prática.
Reparar no que está à sua volta.
Respirar com intenção.
Ficar alguns minutos sem estímulo.
Aceitar que não precisa de estar sempre a pensar em algo.
Estar presente não é desligar a mente à força.
É dar-lhe menos motivos para fugir.
E com o tempo, o agora deixa de ser um lugar estranho…
e passa a ser um lugar onde consegue ficar.
