Há uma fase em que algo muda.
Não de forma visível… mas interna.
Começa a perceber mais.
A ver padrões.
A entender dinâmicas que antes passavam despercebidas.
E, com isso, a paciência começa a diminuir.
O que antes tolerava… agora incomoda.
Conversas superficiais cansam mais rápido.
Comportamentos repetitivos deixam de ser ignorados.
E isso pode gerar confusão.
Será que estou a tornar-me mais rígido?
Menos tolerante?
Mais distante?
Na maioria das vezes, não é isso.
É consciência.
Quando começa a ver com mais clareza, deixa de conseguir “não ver”.
E aquilo que antes aceitava por hábito… deixa de fazer sentido.
A paciência diminui porque já não há identificação com certas situações.
Mas há um ponto importante.
Consciência não deve transformar-se em rejeição constante.
Ver mais não significa afastar-se de tudo.
Nem significa exigir que os outros estejam no mesmo ponto.
Cada pessoa está no seu ritmo.
O desafio está no equilíbrio.
Não voltar atrás…
mas também não se fechar.
Saber quando se afastar.
Saber quando apenas observar.
Saber quando não entrar em certas dinâmicas.
Mais consciência traz mais responsabilidade.
Responsabilidade de escolher melhor.
De reagir com mais intenção.
De não cair automaticamente no julgamento.
A diminuição da paciência não é o problema.
O que faz com ela é que define o seu crescimento.
Porque ver mais…
é também aprender a lidar melhor com o que vê.
