Há dias em que tudo pesa mais. As palavras dos outros. A lista de tarefas. O silêncio de quem não respondeu. Os prazos. As expectativas. E, por dentro, há uma parte que sussurra algo muito diferente: não é isto que quero viver.
Esse contraste pode ser desconfortável. Por fora, continua a cumprir tudo. Mas por dentro, começa a crescer uma vontade de leveza. Não de fuga. Mas de respirar mais fundo, de escolher com mais intenção, de parar de carregar o que não é seu.
Essa voz interior, muitas vezes abafada pela rotina, é uma bússola. E quando começa a repetir-se com mais frequência, é sinal de que já não dá para ignorar o desalinhamento.
Não é o mundo lá fora que precisa de mudar primeiro. É a forma como se permite existir nele.
Ser espiritual também é reconhecer quando o peso que sente não é seu. É saber quando está a viver em esforço e já não precisa. É aceitar que nem toda luta é sua missão.
E que leveza não é luxo, é escolha consciente.
Começar por onde? Talvez por dizer não. Talvez por ouvir mais o corpo. Talvez por silenciar o ruído só por um momento, e perguntar com honestidade: o que estou a carregar que já não me pertence?
Quando começa a respeitar essa pergunta, o peso deixa de mandar. E a sua energia começa, enfim, a respirar.
