O telemóvel está sempre por perto. Acorda com ele, dorme com ele, preenche pausas com ele. E é exatamente por isso que, muitas vezes, deixa de perceber quando o gesto de o pegar é automático… ou emocional.
A pergunta não é só quanto tempo passa ao ecrã. É porquê o está a usar. Usa-o para se distrair do que sente? Para preencher silêncios? Para evitar uma emoção que ainda não quer encarar?
Ou está a usá-lo para se conectar com algo maior? Com conteúdos que elevam, com práticas que o centram, com mensagens que o lembram de quem é?
A tecnologia pode ser uma ponte ou uma fuga. Depende da intenção com que a usa. Há dias em que o telemóvel serve para abrir um áudio que o acalma, uma leitura que o orienta, uma aplicação que o ajuda a respirar fundo. Mas há também momentos em que se transforma num vício silencioso — um ritual invisível para se afastar de si, enquanto parece só estar “a ver algo”.
Este não é um apelo para largar o digital. É um convite para o usar com mais consciência.
Antes de abrir uma app, pergunte-se: isto vai trazer-me mais ruído… ou mais presença?
A resposta não está no telemóvel. Está em si.
E quando começa a escolher com intenção, o que hoje o distrai… pode começar a apoiar o seu reencontro.
