Estar no corpo é diferente de habitar o corpo. E nem sempre isso acontece.
É possível estar funcional, a cumprir tarefas, a responder a estímulos… e mesmo assim sentir-se deslocado dentro de si.
Sentir-se em casa no próprio corpo começa com a consciência de que ele não é um acessório. É morada. É ponto de partida. E quando essa morada está cheia de tensão, rejeição ou ausência de cuidado, o bem-estar interior começa a ressentir-se.
A desconexão nem sempre se apresenta com grandes sinais. Às vezes, surge em forma de um cansaço que não passa, de uma sensação de peso inexplicável ou da constante vontade de se distrair — como se o corpo fosse um lugar de onde se quer sair.
Quando o corpo não é escutado, torna-se barulhento.
Reparar na respiração, notar onde a tensão se acumula, observar como se anda, como se senta, como se fala — tudo isso são formas de voltar ao corpo sem esforço.
A reconexão não exige rituais complexos. Pode começar num gesto simples: sentar-se com a coluna erguida, colocar uma mão sobre o peito e perguntar mentalmente “como estou agora?”. Esse gesto, repetido com intenção, reacende a presença.
Estar bem no corpo não significa que tudo nele esteja perfeito. Significa que há aceitação, respeito e escuta. Que há vontade de cuidar, e não apenas de usar. Que se está disposto a habitar a vida desde dentro — e não apenas a sobreviver por fora.
