Há momentos em que não há confusão. A resposta já apareceu. A sensação é nítida, a vibração é clara, o corpo sente. Ainda assim… a dúvida instala-se. E mesmo com tudo a apontar numa direção, é como se houvesse algo dentro a travar.
Pode parecer contraditório, mas é comum. A intuição manifesta-se de forma simples, directa. Mas nem sempre se está preparado para agir de acordo com ela. Isso acontece porque seguir a intuição nem sempre é o caminho mais fácil — é, muitas vezes, o mais verdadeiro. E o verdadeiro pode mexer com zonas de conforto, expectativas externas ou medos antigos.
Se já sabe o que sente… por que continua a duvidar?
A resposta está, muitas vezes, na relação entre intuição e confiança pessoal. A intuição pode estar afinada, mas se a autoconfiança estiver frágil, será difícil honrar o que se sente. Surgem pensamentos como “e se estiver enganado?”, “e se parecer irracional?”, “e se me arrepender?” — todos válidos, mas todos baseados no medo, não na verdade.
Duvidar da intuição não é falta de sensibilidade. É falta de treino. É resultado de uma vida a ser ensinada a priorizar o lógico, o comprovado, o validado pelos outros. E reaprender a escutar o sentir exige prática, paciência e coragem.
Dicas para fortalecer a ponte entre intuição e ação:
• Anota situações passadas em que seguiste (ou ignoraste) a tua intuição — o que aconteceu depois?
• Pratica pequenos actos intuitivos no dia a dia: escolher um caminho diferente, mudar um plano, fazer uma pausa sem razão lógica
• Observa o que muda no corpo quando pensas em seguir o que sentes — há tensão ou alívio?
• Evita pedir demasiadas opiniões externas quando já tens uma resposta interna
• Lembra-te: quanto mais escutas, mais claro fica. A intuição recompensa a confiança com mais clareza
Confiar no que se sente é um processo. Às vezes começa com passos pequenos, silenciosos, quase imperceptíveis. Mas cada vez que se escolhe respeitar a verdade interna, a dúvida perde força — e a conexão consigo mesmo ganha raiz.
