Há fases em que tudo parece mais longe. O que antes fazia sentido já não toca. Os rituais perdem efeito. A intuição silencia. A vontade de estar presente desaparece. E o que sobra é uma espécie de vazio, difícil de explicar a quem está de fora.
Mas esse vazio não é fracasso espiritual.
Não é castigo.
E muito menos prova de que está a fazer algo errado.
Sentir-se desconectada pode ser, na verdade, o espaço que a energia cria para se reorganizar.
Muitos não falam sobre isso. Mostram só o lado bonito do crescimento espiritual: o alinhamento, as sincronicidades, os sinais. Mas há outra parte do processo que é silenciosa, crua, invisível. E, por isso mesmo, transformadora.
Quando se sente fora de sintonia com tudo, o impulso é procurar mais: mais práticas, mais respostas, mais sinais. Mas talvez a resposta seja fazer menos. Em vez de procurar reconexão fora, permitir-se observar o que está a ser refeito por dentro.
Uma prática que pode ajudar nestes momentos: escrever o que ainda está presente. Mesmo que pouco. Um cheiro que acalma. Uma música que faz sentido. Um lugar da casa que ainda acolhe. Reconectar-se não precisa de grandes rituais — basta relembrar os pequenos pontos de verdade que ainda vibram.
Desconexão não é fim de caminho. É pausa entre versões.
É silêncio que prepara o novo som.
E a espiritualidade também vive aí onde não há palavras, só presença.
